Os desafios para o monitoramento de pacientes psiquiátricos na pandemia 


Em outubro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma pesquisa indicando que a pandemia de Covid-19 interrompeu serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países, ao mesmo tempo em que a demanda por tratamentos nessa área aumentou.

A pesquisa avaliou como a oferta de serviços a pacientes com distúrbios mentais ou neurológicos mudou durante a pandemia, que tipos de serviços foram interrompidos e como os países estão se adaptando para superar esses desafios.

Em 67% dos países ocorreram interrupções no aconselhamento e psicoterapia e em 65% houve prejuízos para serviços críticos de redução de danos. Mais de um terço (35%) relatou interrupções nas intervenções de emergência.

Cerca de três quartos relataram interrupções parciais nos serviços de saúde mental na escola e no local de trabalho (78% e 75% respectivamente), enquanto 30% relataram interrupções no acesso a medicamentos para transtornos mentais e neurológicos.

Por isso, quando falamos em ações para a promoção da saúde mental durante a pandemia, fica claro que é necessário dar uma atenção especial àquelas pessoas que já tinham algum transtorno mental diagnosticado anteriormente e que correm grandes riscos de ter seus quadros agravados.

Já há inclusive uma grande preocupação entre os profissionais da área com uma “quarta onda” da pandemia, que está diretamente ligada à saúde mental e que pode trazer um aumento expressivo da prevalência dos transtornos mentais entre a população, além de uma piora na situação dos pacientes que já se encontram em tratamento.

Esse é o tema que vamos abordar neste artigo, trazendo algumas estratégias que podem ser úteis para que a sua operadora de saúde possa trabalhar a saúde mental de forma preventiva, fazendo o monitoramento adequado dos pacientes psiquiátricos nesse momento de emergência sanitária.

Como a pandemia afeta os pacientes psiquiátricos

Uma pesquisa publicada em 2020 no American Journal of Psychiatry Dados indicou que 20,9% dos pacientes psiquiátricos relataram uma piora nos sintomas em decorrência da pandemia.

Segundo especialistas, a maior parte das medidas sanitárias para contenção da pandemia, como o uso de álcool gel e a lavagem frequente das mãos e dos produtos de supermercado, podem ter contribuído para agravar os sintomas de quem já tinha transtorno de ansiedade ou transtorno obsessivo-compulsivo

No caso de pacientes com transtornos alimentares, outra pesquisa identificou agravos em 37,5% dos casos. Entre esses indivíduos, 56,2% disseram ter percebido uma piora específica nos sintomas relacionados à ansiedade.

Outros dados indicam que o uso de drogas ilícitas e álcool, muito recorrente entre pacientes psiquiátricos, também aumentou de forma considerável desde as primeiras semanas de isolamento social.

A própria condição de isolamento, com as dificuldades de manter uma rotina doméstica que muitas vezes envolve a atividade profissional e o cuidado com os filhos, também é um fator de agravamento e descompensação dos transtornos mentais. Isso sem contar o medo e a ansiedade gerados pelo risco de contrair a doença.

Nesse contexto, uma simples ansiedade pode se tornar generalizada e uma depressão leve pode se tornar uma depressão maior. E sem um acompanhamento adequado, pacientes com esquizofrenia estabilizada ou com diagnóstico de bipolaridade podem evoluir para um quadro psicótico.

Mais adiante, quando o isolamento se tornou menos rígido, surgiram outros fatores de risco para o agravamento de sintomas psiquiátricos, incluindo problemas financeiros causados pela retração na economia e o desemprego.

Pesquisas mostram que a combinação desses fatores têm gerado um aumento na prevalência de depressão e suicídio na população, e que a exposição constante a uma situação geradora de estresse como a que vivemos atualmente é um dos principais agravantes para o desenvolvimento de transtorno depressivo maior.

Os riscos da interrupção no tratamento

No início da pandemia, quando muitas operadoras ainda não estavam preparadas para oferecer serviços de telemedicina aos pacientes psiquiátricos, muitos deles enfrentaram grandes dificuldades para manter o tratamento medicamentoso ou mesmo procurar ajuda diante de uma piora dos sintomas.

Minimizar o contato físico nesses casos implica reduzir as interações face a face com o paciente, que é um componente-chave para o tratamento de problemas ligados à saúde mental.

Ao mesmo tempo em que visitas frequentes ao psiquiatra aumentam o risco de exposição ao vírus, um número insuficiente de consultas também pode aumentar o risco de desestabilização dos pacientes, especialmente em casos graves.

A telessaúde no monitoramento de pacientes psiquiátricos

Para tentar atingir um equilíbrio na quantidade de visitas presenciais desses pacientes às unidades de saúde, um grupo de psiquiatras do Centro de Atenção Psicossocial do Hospital de Clínicas de Porto Alegre registraram em um artigo a experiência de implantar um sistema de gestão de terapia intensiva em telessaúde.

Os resultados obtidos mostraram que o gerenciamento intensivo de casos via telessaúde é uma estratégia viável para mitigar os riscos exacerbados de instabilidade psiquiátrica por estresse relacionado ao Covid-19 nesta população vulnerável. Além disso, podem servir como base para estruturar um serviço semelhante na sua operadora de saúde.

Antes do serviço de telemonitoramento em saúde mental, 48% dos pacientes frequentavam o centro comunitário todos os dias ou pelo menos três vezes por semana, enquanto os demais utilizavam o serviço com periodicidade semanal, quinzenal ou mensal.

Depois de implantados os protocolos para o monitoramento por telefone, foi possível adotar esse método para 61% dos pacientes.

Outros 29% continuaram a ser atendidos pessoalmente, enquanto 7% dos usuários do serviço não puderam ser contactados durante o desenvolvimento da pesquisa.

Atualmente, todos os pacientes são telemonitorados semanal ou quinzenalmente para investigar sinais de instabilidade psiquiátrica, além da verificação de sintomas respiratórios e febre. Durante os contatos, é reforçada a importância da lavagem das mãos e da restrição do contato físico.

Com base nas mudanças atuais de comportamento, os pacientes foram divididos em casos “estáveis” ou “instáveis”. Os primeiros são orientados a ficar em casa, sendo monitorados por contato telefônico. Já os segundo devem continuar com consultas presenciais, além do telemonitoramento sistemático e frequente.

A tecnologia como aliada no acompanhamento psiquiátrico

Na experiência relatada pelos profissionais do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, todas as ações e informações sobre mudanças dinâmicas no estado do paciente são coordenadas por meio de uma planilha online.

Mas é possível ir além, trabalhando os dados desses pacientes dentro de uma solução especializada para a gestão de programas de promoção da saúde.

Utilizando um sistema como o Previva, por exemplo, é possível não somente coordenar todo o processo de telemonitoramento, como também gerar indicadores de saúde para acompanhar a evolução dos tratamentos e da qualidade de vida dos pacientes psiquiátricos.

Compartilhando as informações de forma totalmente integrada com o ERP da operadora, é possível identificar rapidamente os pacientes elegíveis para esse tipo de programa entre os beneficiários da operadora, além de obter dados completos e atualizados sobre seu estado de saúde. A avaliação dos resultados também fica mais fácil e precisa com a geração de relatórios de forma simples e rápida.

Quer saber como o Previva pode ser útil para organizar o monitoramento de pacientes psiquiátricos na sua operadora? Entre em contato conosco!

Entre em contato

Solicite uma demonstração ou deixe sua mensagem

Ficou com dúvida sobre o Previva?