Como o envelhecimento vai impactar os custos na saúde suplementar pelos próximos dez anos


Considerando que a faixa etária acima dos 59 anos é a que mais contribui para o aumento dos custos assistenciais, o envelhecimento populacional tornou-se um dos maiores desafios para a sustentabilidade das operadoras de saúde nos próximos anos.

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o número de idosos nos planos de saúde brasileiros dobrou nos últimos vinte anos, passando de 3,3 milhões no ano 2000 para 6,6 milhões em 2020.

Diante desse crescimento, o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) organizou um estudo para avaliar qual será o impacto do envelhecimento sobre as despesas das operadoras na próxima década.

Neste artigo, vamos conhecer os principais resultados desse estudo, publicado em maio de 2021.

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Mais longevidade e mais comorbidades

Segundo a projeção do IESS, o envelhecimento da população sozinho deve gerar um crescimento de 11% na despesa assistencial per capita nos próximos dez anos.

De acordo com o levantamento do IESS, o principal fator que contribui para a elevação das despesas médico-hospitalares entre os beneficiários acima de 60 anos não é exatamente o aumento da longevidade, mas sim o perfil da saúde do idoso no país.

O alto índice de comorbidades crônicas é uma característica dessa população, o que tem gerado um número crescente de pessoas que atingem idades avançadas e passam a viver por longos anos com necessidades cada vez mais complexas.

Esse movimento populacional fez a proporção de beneficiários idosos nos planos de saúde aumentar de 12,9% para 14,3% no curto período entre 2016 e 2020. De acordo com o estudo, esse aumento tende a continuar nos próximos anos e será sentido ao longo da próxima década.

Três cenários para os custos assistenciais

Com o objetivo de estimar as implicações da mudança demográfica e do crescimento da economia nos custos da saúde suplementar, a pesquisa do IESS traçou três diferentes cenários para o futuro.

Cenário demográfico puro

Esse cenário avaliou o impacto do envelhecimento de forma isolada, considerando que as taxas de cobertura populacional projetadas pelo IBGE para cada ano se manterão constantes.

Nesse cenário, o crescimento estimado do número total de beneficiários será de 8,6%, chegando a 50,9 milhões de vidas em 2031. No mesmo período, o índice de crescimento no número de beneficiários acima de 59 anos será de 47,1%. Considerando apenas os maiores de 80 anos, o aumento será de 65%!

Esse movimento projeta uma elevação de 20,5% para o total de despesas médico-hospitalares nas operadoras de saúde entre 2020 e 2031.

Dentro desse cenário, a saúde suplementar chegará em 2031 com 45,2% das suas despesas assistenciais destinadas ao cuidado dos idosos. Em 2020, essa proporção era de 35,8%.

Nesse mesmo período, espera-se uma redução na proporção das outras faixas etárias. Os indivíduos de 20 a 59 anos, por exemplo, que representavam 53,2% do total de despesas em 2020, devem ter sua participação reduzida para 46,4%.

É esse cenário que projeta um crescimento de 11% no custo per capita total.

É importante ressaltar, contudo, que o impacto nas despesas não se dá apenas em decorrência do envelhecimento. Vários outros fatores também contribuirão para o aumento dos custos com saúde, entre eles a incorporação de novas tecnologias, as assimetrias do mercado e a inflação médica.

Por isso, além do processo de envelhecimento da população, os dois outros cenários levam em conta também as previsões para o crescimento da economia do país.

Cenário base

O IESS projeta um cenário base mais realista, considerando um crescimento médio de 1,6% por ano no PIB per capita. Dentro desse contexto, a taxa de cobertura da população idosa pode chegar a 44,2% até 2031.

Neste cenário, o número total de beneficiários em 2031 chegaria a 62 milhões, crescendo 30,3% na comparação com 2020. O número de beneficiários idosos cresceria 95,4% no mesmo período, somando 13,3 milhões de pessoas.

Diante desses números, calcula-se que a despesa assistencial total das operadoras de saúde aumentaria 51,4%, chegando a um valor de R$ 261,6 bilhões/ano em 2031. Contando apenas as despesas da faixa etária acima dos 59, os custos mais do que dobram no mesmo período, com um aumento de 101,3%.

Cenário otimista

Este cenário prevê uma economia mais dinâmica nos próximos anos, com a geração de mais emprego e renda para a população, principalmente para os indivíduos em idade ativa.

Nesse cenário, a taxa de cobertura para pessoas de 60 anos ou mais ficaria em 41,9%, ligeiramente inferior à do cenário base.

O número total de beneficiários projetado para 2031 ficaria em 67,7 milhões, com um crescimento de 42,1% em relação a 2020. Por sua vez, o número de beneficiários idosos cresceria 85,3%, totalizando 12,6 milhões de pessoas.

Neste cenário, o avanço menor na faixa de 60 anos ou mais ocorre devido ao relacionamento estreito que existe entre o crescimento do PIB per capita e o crescimento das faixas etárias mais jovens.

No cenário otimista, o crescimento dos custos assistenciais das operadoras seria de 56,6% até 2031. No mesmo período, as despesas com beneficiários idosos aumentariam em 90,9%.

Isso se dá por que, com a ampliação da cobertura de faixas etárias mais jovens, estas passam a ter maior representatividade nas despesas assistenciais.

Preparando-se para o futuro

O fato que deve deixar os gestores em estado de alerta é que, em todos cenários abordados, a representatividade dos beneficiários idosos na composição das despesas vai aumentar significativamente nos próximos anos.

E se o país seguir com uma taxa de natalidade abaixo da taxa de reposição, as operadoras de saúde podem vir a enfrentar dificuldades ainda maiores para manter seu equilíbrio econômico-financeiro.

Segundo os pesquisadores do IESS, os cenários apresentados podem ser considerados conservadores, em certa medida, já que não consideram a evolução tecnológica, a piora das condições de saúde da população ou os impactos da pandemia de Covid-19, por exemplo.

Na conclusão deste estudo, eles ressaltam a importância de definir uma estratégia para que os prestadores de serviços de saúde possam lidar com o aumento na necessidade de cuidados de longo prazo para a população idosa, diante do crescimento proporcional dessa faixa etária entre a população.

Segundo o estudo, para que o sistema seja sustentável é importante que os preços dos planos de saúde estejam em conformidade com os custos e que também caibam nos orçamentos familiares.

Nesse contexto, mesmo que já existam normas para regular a diferença das mensalidades entre faixas etárias, o distanciamento das despesas dos mais idosos em relação aos mais jovens continuará sendo um desafio para a sustentabilidade do setor no longo prazo.

A solução para as operadoras é apostar em uma abordagem que envolva cuidados inteligentes para a redução de custos, focados na gestão de pacientes crônicos e reforçando as ações de promoção da saúde para os beneficiários acima dos 59 anos.

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