Saúde mental: uma abordagem voltada para a prevenção


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Dados recentes do Ministério do Trabalho e Previdência Social mostram que,nos últimos três anos, a participação das doenças mentais nos afastamentos do trabalho aumentou de 4% para quase 5% do total de licenças. Entre estas doenças, os casos de transtorno de ansiedade e reação grave ao estresse tiveram um crescimento ainda mais preocupante, na casa dos 30%. Segundo especialistas em saúde mental ouvidos pela Folha de São Paulo, esta é uma situação comum em períodos de crise econômica e já foi observada em diversos países nos últimos anos.

De acordo com a reportagem, recessões prolongadas, como a que o Brasil atravessa agora, afetam a saúde mental da população e geram uma série de prejuízos sociais e econômicos. Para as operadoras de saúde, o quadro atual vem reforçar o alerta sobre a importância de se investir em ações voltadas à manutenção do bem-estar mental de seus beneficiários. É importante lembrar que um estado de estresse prolongado pode ser um “gatilho” para doenças mentais mais graves, além de um importante fator de risco para o desenvolvimento de diabetes e problemas cardiovasculares.

Na definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental deve ser uma parte integrante e essencial da saúde, indo além da simples ausência de transtornos mentais ou deficiências. Trata-se de um estado de bem-estar no qual um indivíduo realiza suas próprias habilidades, pode lidar com as tensões normais da vida e trabalhar de forma produtiva, sendo capaz de fazer contribuições à sua comunidade.

Saúde mental e medicina preventiva

Além de estabelecer em seu rol de procedimentos a cobertura de 16 sessões de psicoterapia anuais, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em suas Diretrizes Assistenciais em Saúde Mental, indica cinco principais linhas de cuidado para orientar as ações das operadoras de saúde nessa área:

  • Transtornos mentais graves e persistentes
  • Transtornos psiquiátricos decorrentes do uso de álcool e outras drogas
  • Transtornos depressivos, ansiosos e alimentares
  • Saúde mental e crianças e adolescentes
  • Saúde mental de idosos

Nesse contexto, são inúmeras as iniciativas que podem ser promovidas pelas operadoras. Entre elas estão as diversas formas de suporte social ao idoso, ações de apoio e prevenção para reduzir os índices de transtornos alimentares, alcoolismo e tabagismo, além de programas voltados especificamente a beneficiários que apresentam quadros de ansiedade ou depressão.

Segundo pesquisa do laboratório de inovação assistencial da ANS-OPAS, cerca de 30% das operadoras no país oferecem ações e programas relacionados à saúde mental, mas aproximadamente 70% delas não utilizam as linhas de cuidado propostas pela ANS.

De acordo com o Dr. Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), há um enorme campo de desenvolvimento para que o cuidado e a prevenção das doenças mentais seja mais integrado, resolutivo e efetivo, com consequentes redução nos custos assistenciais e menores índices de perda de produtividade.

Segundo ele, as principais barreiras estão associadas à fragmentação no cuidado (pelos médicos, hospitais, clínicas, psicólogos), pouca disponibilidade de serviços com atenção multidisciplinar, preparo técnico inadequado dos prestadores e também baixa prioridade para a questão da saúde pelas empresas clientes.

Ações práticas

Diante dessas informações, o que o gestor de medicina preventiva de uma operadora de saúde pode fazer? Inspirar-se nas sugestões acima e focar nas linhas de cuidado sugeridas pela ANS, analisando quais delas terão mais impacto dentro do seu universo de beneficiários e desenvolvendo programas capazes de apoiá-los para que possa lidar com o estresse diário e as dificuldades emocionais.

É importante lembrar que, independente do público-alvo, todo programa voltado à saúde mental e emocional deve ter suporte de uma equipe interdisciplinar, composta por psicólogos, psiquiatras e assistente social. Estes profissionais vão coordenar uma série de atividades, que podem incluir desde atendimentos individuais até sessões de psicoterapia em grupo ou com a família, complementadas por palestras, vivências e oficinas terapêuticas.

Para ajudá-lo a planejar a estratégia de promoção à saúde mental da sua operadora, confira estas cinco ideias práticas para ações de combate ao estresse.

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