Qual a influência da medicina preventiva nos custos assistenciais em saúde


Atualmente, a maior parte das despesas das operadoras de saúde no país está concentrada nos chamados custos assistenciais. Estudos recentes mostram que eles continuam a subir, mesmo com a diminuição do número de beneficiários nos planos de saúde de maneira geral.

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) aponta que os custos assistenciais das operadoras brasileiras devem chegar a R$ 383,5 bilhões até 2030, um aumento de 157,3% em relação aos dados de 2017.

Diante desses números, os gestores da área de saúde estão definindo como prioridade máxima a redução dos custos assistenciais em suas operações.

Neste artigo, vamos mostrar como a medicina preventiva pode ser uma excelente aliada nessa tarefa e indicar algumas estratégias para que você possa aplicar também na sua operadora.

custos assistenciais em saúde

O que são custos assistenciais?

De forma simplificada, podemos dividir as despesas de uma operadora de saúde em dois tipos:

  • custos assistenciais
  • custos não-assistenciais

Para calcular os custos assistenciais deve-se levar em conta todas as despesas relacionadas diretamente à utilização dos serviços de saúde. Isso inclui os recursos gastos com consultas, exames, procedimentos ambulatoriais e internações.

Já os custos não-assistenciais envolvem tudo que não esteja diretamente ligado ao uso dos serviços, como as despesas de comercialização, de marketing, administrativas, entre outras.

Despesas em alta

De acordo com dados do IESS, em 2017 os planos médico-hospitalares gastaram R$ 144,9 bilhões com serviços de assistência à saúde. Isso representa um aumento de 9,8% em relação ao valor gasto no ano anterior.

É interessante observar que as internações são responsáveis pela maior parte (45,1%) dos custos assistenciais das operadoras, apesar de representarem somente 0,6% do total de atendimentos prestados durante o ano.

Em 2017 foram gastos R$ 65,4 bilhões apenas em hospitalizações, o que reforça a necessidade de uma estratégia para reduzir o custo com internações para os planos de saúde.

Medicina preventiva e custos assistenciais

Segundo os pesquisadores da área de saúde, um dos fatores responsáveis pelo aumento no custos assistenciais é o uso excessivo de serviços médicos pelos beneficiários das operadoras.

Boa parte dessa demanda tem a ver com doenças que poderiam ser evitadas com um trabalho mais intenso de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças (Promoprev).

Por contribuírem de forma significativa na redução do número de internações, as ações de medicina preventiva e programas de Promoprev também são ótimas maneiras de reduzir os custos assistenciais.

O conceito de medicina preventiva prevê uma mudança do atual modelo de assistência focado no tratamento de doenças para uma abordagem que prioriza a prevenção. A ideia é ajudar o indivíduo saudável a se manter saudável e incentivar o doente crônico a participar de programas que contribuam para manter sua qualidade de vida.

Tal abordagem é muito bem-vinda neste momento em que um terço da população já sofre de pelo menos uma doença crônica. Segundo estimativa do Ministério da Saúde, esses males respondem por 70% dos gastos com saúde no país.

Com o aumento no número de pessoas maiores de 60 anos entre os beneficiários de planos de saúde, as operadoras estão especialmente preocupadas com as despesas decorrentes da multimorbidade entre idosos.

É justamente na redução das despesas com o tratamento de doenças crônicas que a medicina preventiva se mostra mais eficaz. Os exames em geral são mais baratos que os tratamentos, mas também nesse aspecto a prevenção ajuda a reduzir os gastos diminuindo a demanda por procedimentos ambulatoriais.

Mas como comprovar a economia gerada pelas ações de medicina preventiva?

Veja neste artigo mais detalhes sobre os principais indicadores de controle de custos assistenciais:

Controle dos custos assistenciais em operadoras de saúde

Controle de custos por nível de prevenção

Como sabemos, existem três níveis de atenção em medicina preventiva: primário, secundário e terciário. Em cada um deles é possível desenvolver ações voltadas para a redução dos custos assistenciais em saúde. Veja a seguir:

1) Prevenção primária

A prevenção primária acontece quando focamos nos indivíduos saudáveis, trabalhando com a redução de fatores de risco para impedir o desenvolvimento de uma doença. Os recursos utilizados neste nível incluem palestras educativas, campanhas de imunização, aferição de pressão arterial, verificação do índice de massa corpórea, verificação do risco cardiovascular, além de orientações gerais de saúde em empresas clientes.

2) Prevenção secundária

As medidas preventivas secundárias são voltadas aos beneficiários já diagnosticados com alguma doença crônica, mais que ainda não apresentam maiores sintomas ou complicações. O principal objetivo é promover o diagnóstico e tratamento precoces, de forma a impedir a evolução da enfermidade e evitar sequelas. Nesta fase o mais indicado é organizar programas de saúde e grupos de apoio reunindo estes pacientes. Dessa forma eles podem aprender a conviver com a doença de maneira segura e trocar experiências com outras pessoas que sofrem dos mesmos males.

3) Prevenção terciária

A prevenção terciária atua diretamente nos portadores de doenças crônicas em estágio avançado e tem como finalidade reduzir a progressão das complicações e possibilitar a manutenção da qualidade de vida do indivíduo. Entre as estratégias de prevenção terciária mais utilizadas pelas operadoras estão a atenção domiciliar e o homecare, que possibilitam cortar custos em diárias de internações e no uso da oxigenoterapia.

Tecnologia a serviço da redução de custos

Já está claro como a medicina preventiva pode ajudar sua operadora a reduzir custos assistenciais. Mas é preciso tomar cuidado para que a gestão destas ações também seja guiada pela eficiência e racionalização de despesas.

Dessa forma, para reduzir os custos e aumentar os resultados das ações preventivas, você deve direcioná-las preferencialmente aos clientes identificados como os de maior sinistralidade ou maior risco. É a tendência dos “cuidados inteligentes”.

Para melhorar o foco dessas iniciativas é preciso implantar ações coordenadas que envolvam o mapeamento de grupos de risco, estudos sociodemográficos, histórico detalhado e compartilhado via prontuário eletrônico, entre outras rotinas.

É aí que entra a tecnologia da informação!

Além de viabilizar todas estas ações, ter um sistema de gestão de medicina preventiva integrado ao ERP da operadora é fundamental para levar a assistência a um outro patamar, onde o foco deixa de ser a doença e passa ser a manutenção da saúde do beneficiário.

Com o auxílio de uma ferramenta especializada você pode monitorar o perfil de saúde dos beneficiários, realizar a seleção de elegíveis para cada programa, distribuir os convites e controlar o engajamento dos participantes, além de organizar o telemonitoramento de pacientes crônicos.

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