Estratégias para programas de prevenção a neoplasias


Neoplasia é um termo técnico usado para denominar mais de uma centena doenças que têm como característica o desenvolvimento anormal e descontrolado de células em qualquer parte do organismo que podem se multiplicar rapidamente e comprometer o funcionamento de diversos órgãos. Popularmente conhecida como tumor ou câncer, este tipo de enfermidade é hoje uma das principais causas de morte no mundo.

prevenção a neoplasias

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os diferentes tipos de câncer foram responsáveis por 13 % de todas as mortes registradas globalmente em 2011. No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que cerca de 600 mil novos casos serão registrados no biênio 2016-2017. Diante desse quadro, fica claro por que as operadoras de saúde suplementar devem dar prioridade para a criação de programas de prevenção a neoplasias dentro de sua estratégia de medicina preventiva.

Conforme recomendação do Inca, o monitoramento da morbimortalidade por câncer deve ser incorporado na rotina da gestão de saúde, tornando-se um instrumento essencial para estabelecer ações de controle e prevenção. Isso inclui a implantação, supervisão e avaliação de programas preventivos, além de ações para avaliar o impacto no perfil de morbimortalidade dos beneficiários e a manutenção de um sistema capaz de organizar informações que subsidiem análises epidemiológicas para tomadas de decisões nesta área.

A importância das medidas preventivas

O desenvolvimento da neoplasia ocorre a partir de agentes externos ou por predisposição genética, com os riscos aumentando proporcionalmente ao envelhecimento do indivíduo. O tipo de alimentação, um estilo de vida sedentário, o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a exposição excessiva ao sol sem proteção, o ambiente ocupacional e comportamentos sexuais de risco podem estar relacionados em maior ou menor grau com o desenvolvimento de determinados tipos de câncer.

Segundo estimativas da OMS, cerca de 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados por meio de medidas preventivas. Manter uma dieta saudável combinada com atividades físicas regulares e ausência do tabaco é uma das melhores maneiras de se evitar o surgimento de grande parte dos tumores. Os mecanismos de controle e prevenção a neoplasias estão relacionados a ações de saúde coletiva com a sistematização de estratégias baseadas em dados populacionais de forma a promover mudanças de hábitos que possam reduzir a incidência do câncer, além de promover o diagnóstico precoce.

Estima-se que o equivalente a um terço das neoplasias poderiam ser curadas com a detecção precoce, pois quanto mais cedo for feito o diagnóstico maiores são as chances de sucesso no tratamento.

Diretrizes da ANS para prevenção a neoplasias

Devido à sua relevância no perfil de morbimortalidade da população brasileira, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define que as neoplasias malignas, em especial as de próstata, cólon e reto, colo de útero e mama, devem constar do monitoramento no Programa de Qualificação da Saúde Suplementar. A ANS considera importante a abordagem dessas neoplasias, além do câncer de pulmão, no desenvolvimento de Programas de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças.

As diretrizes assumidas pela ANS estão definidas na Política Nacional de Controle e Prevenção de Câncer estabelecido pelo Inca. Assim como as prioridades da política de controle de câncer no Brasil devem ser estabelecidas com base no perfil de morbidade e mortalidade dos diversos estados e municípios do país, que varia amplamente de região para região, as operadoras de planos privados de saúde devem basear suas ações de acordo com o perfil demográfico e de morbimortalidade de sua carteira de beneficiários.

Para garantir uma maior eficácia e precisão na construção destes perfis, torna-se indispensável o uso de ferramentas de tecnologia da informação (TI) capazes de auxiliar os gestores de área de medicina preventiva na tomada de decisões e no planejamento dos programas. Por meio de um software especializado é possível manter organizadas e atualizadas uma série de informações relativas ao perfil de saúde dos beneficiários, construindo assim um banco de dados dinâmico que torne possível identificar mais facilmente grupos de risco para diferentes tipos de câncer e organizar ações voltadas especificamente para eles.

Tipos de câncer mais comuns e sua prevenção


Prevenção do câncer de pulmão

O câncer de pulmão é, entre todas as neoplasias malignas, o de maior incidência e o mais letal. De acordo com estimativas do Inca, de janeiro a dezembro de 2016 devem surgir no país 17.330 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões entre homens e 10.890 entre mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 17,49 casos novos a cada 100 mil homens e 10,54 para cada 100 mil mulheres.

Devido à grande associação do consumo de tabaco com o câncer de pulmão, é consenso entre os profissionais de saúde que a estratégia mais efetiva é a prevenção primária fundada no combate ao uso de tabaco. Dessa forma, os programas antitabagismo são considerados as melhores ferramentas para se obter uma redução significativa da incidência e da mortalidade da doença.

Prevenção do câncer de próstata

O câncer de próstata ocupa, atualmente, a segunda posição entre as causas de morte por câncer na população masculina, com cerca de dois terços dos casos ocorrendo a partir dos 65 anos. Para este ano a estimativa do Inca é que surjam no Brasil 61.200 novos casos da doença, correspondendo a um risco estimado de 61,82 casos novos a cada 100 mil homens.

A estratégia mais adequada para o controle do câncer de próstata deve se basear em ações educativas voltadas à população masculina. A principal recomendação é incentivar os homens com mais de 50 anos a procurarem unidades ambulatoriais para que seja feita uma avaliação anual. A partir daí, apenas aqueles que apresentarem alterações suspeitas devem prosseguir em uma investigação mais específica.

Prevenção do câncer de cólon e reto

O câncer colorretal compreende os tumores que atingem o cólon (intestino grosso) e o reto. Esses tumores atingem da mesma forma ambos os sexos, e quando se restringe ao intestino, ou seja, antes de se disseminar para outros órgãos, pode ser uma doença curável. Estimam-se, para 2016, no Brasil, 16.660 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e de 17.620 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 16,84 casos novos a cada 100 mil homens e 17,10 para cada 100 mil mulheres.

Sua mortalidade é considerada baixa e uma condição fundamental para o impacto nesse indicador é o tempo de evolução da lesão. Por isso, a investigação clínica a partir da suspeita é crucial para uma intervenção favorável. As ações de prevenção devem focar na reeducação e sensibilização da população visando eliminar fatores e comportamentos de risco. Adotar uma dieta adequada de frutas, vegetais frescos, cereais e peixe, com baixo consumo de carnes vermelhas e processadas e de bebidas alcoólicas, abandonar o hábito de fumar, além da prática de atividade física regular, são atitudes importantes para reduzir a incidência desta doença.

Prevenção do câncer de colo de útero

É o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo, sendo responsável por cerca de 471 mil casos novos e 230 mil óbitos por ano. No Brasil, estima-se que esta seja a terceira neoplasia maligna mais comum entre as mulheres, superada apenas pelo câncer de pele (não-melanoma) e pelo câncer de mama. Para 2016 são esperados 16.340 novos casos da doença no país, com um risco estimado de 15,85 casos a cada 100 mil mulheres. A incidência do câncer de colo de útero atinge seu pico na faixa etária de 45 a 49 anos.

A prevenção primária baseia-se no estímulo do uso de preservativos como forma de evitar o contágio com o HPV, vírus que tem um papel importante para o desenvolvimento do câncer e de suas lesões precursoras. Na prevenção secundária, a principal estratégia é a realização do exame preventivo (Papanicolau), que deve ser repetido a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. Considerando que esse tipo de câncer tem 100% de probabilidade de cura quando diagnosticado e tratado em seus estágios iniciais, fica clara a importância das ações de prevenção.

Prevenção do câncer de mama

O câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres, devido à sua alta frequência e, sobretudo, pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima dessa faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Para o Brasil, em 2016, são esperados 57.960 novos casos, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres.

A prevenção primária tem como principais medidas uma alimentação saudável, prática de atividade física regular e manutenção do peso ideal, podendo evitar cerca de 30% dos casos. Na prevenção secundária, a mamografia bienal para mulheres entre 50 a 69 anos e o exame clínico são as estratégias mais recomendadas. Para as mulheres consideradas de risco elevado (com histórico familiar em parentes de primeiro grau) recomenda-se o acompanhamento individualizado.

Em relação ao autoexame, evidências científicas sugerem que não é eficiente para o rastreamento e não contribui para a redução da mortalidade. Além disso, ele pode ter consequências negativas, como aumento do número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação de segurança em exames falsamente negativos e impacto psicológico com exames falsamente positivos.

E na sua operadora, como são definidas as ações de controle e prevenção a neoplasias? Os programas implantados vêm obtendo os resultados esperados? Compartilhe sua experiência conosco, aproveite para conhecer melhor o Previva e veja como o software pode contribuir para o planejamento dos seus programas de medicina preventiva.

 

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