Obesidade e Covid-19: quais são os riscos para quem está acima do peso?


A obesidade é a condição crônica que mais tem levado as pessoas a serem hospitalizadas em decorrência da Covid-19, segundo estudos publicados recentemente na França e nos Estados Unidos.

Para países como o Brasil, onde aproximadamente 20% da população é obesa, esse fato acende um sinal de alerta no sistema de saúde.

Afinal de contas, trata-se da união de duas das mais graves pandemias do século 21:

Uma infecção viral com altíssimo poder de contágio e ainda sem vacina, aliada a uma condição metabólica que é segunda maior causa de mortes ao redor do globo.

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Para poder responder com rapidez e assertividade aos desafios impostos por essa combinação de fatores, os gestores de saúde precisam entender os motivos que tornam os obesos mais suscetíveis ao agravamento da doença

Somente a partir dessa compreensão é possível traçar estratégias mais eficazes para tratar os doentes e prevenir o avanço do coronavírus entre os beneficiários com esse perfil.

Por isso, confira a seguir um resumo dos resultados das principais pesquisas mundiais focadas na relação entre a obesidade e a Covid-19.

Por que a obesidade pode agravar a Covid-19?

De acordo com os pesquisadores franceses e norte-americanos, a principal causa de complicações para os pacientes obesos é o processo inflamatório gerado pelo excesso de peso no organismo.

Além disso, o excesso de peso geralmente vem acompanhado de outras doenças crônicas metabólicas, como hipertensão e diabetes. Essa comorbidade faz aumentar ainda mais o risco de evoluir para uma forma mais grave de Covid-19.

Sabe-se também que indivíduos com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40 kg/m2 são mais suscetíveis a desenvolver complicações quando infectados pelo vírus influenza, mesmo quando já foram vacinados contra a gripe.

Diante disso, os especialistas supõem que a obesidade seja um fator de risco independente para a Covid-19.

 


Pesquisadores franceses comprovam elevação no risco

Pesquisadores do Instituto Lille Pasteur, na França, examinaram 124 pessoas hospitalizadas em decorrência da Covid-19 entre 27 de fevereiro a 5 de abril de 2020.

O objetivo do estudo era comprovar a alta prevalência da obesidade entre os casos de SARS-CoV-2 (Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pelo novo coronavírus), especialmente entre os pacientes que necessitam de ventilação mecânica invasiva.

Entre os internados, 47,6% eram obesos (IMC maior que 30) e 28,2% apresentavam obesidade grave (IMC > 35).

Considerando o número total de pacientes, foi registrado o uso de ventilação mecânica em 68,6% dos casos. Contudo, analisando apenas os obesos graves, este índice chegou a 85,7%.

Além de confirmar a alta prevalência de obesos entre os pacientes mais graves, a principal conclusão dos cientistas franceses foi que a gravidade da doença aumenta de acordo com o IMC do paciente.

Estudo nos EUA explica relação entre obesidade e Covid-19

Em paralelo ao estudo francês, pesquisadores da Universidade de Nova York investigaram 4.103 pacientes em tratamento na cidade que é hoje o epicentro da pandemia de Covid-19.

Entre os indivíduos analisados, 44,6% apresentavam problemas cardíacos, 39,8% eram obesos e 31,8% tinham diabetes tipo 2. Um total de 2.104 pessoas (51,3%) foram acompanhadas em casa, enquanto 1.999 (48,7%) foram hospitalizadas.

Ao fim do estudo, constatou-se que o IMC alto foi o problema crônico que mais resultou em internações e necessidade de ventilação mecânica.

Em busca dos motivos que levam os obesos a ter um risco maior de agravamento da infecção, os cientistas descobriram que os pacientes mais graves eram os que tinham um maior número de marcadores inflamatórios no organismo.

Esta é uma característica marcante nas pessoas que estão muito acima do peso e já havia sido identificada como um fator determinante para elevar o risco de câncer em pacientes obesos.

Segundo os pesquisadores, o mesmo acontece em relação à Covid-19.

O estado de inflamação crônica no organismo dos obesos acaba causando lesões que levam à formação de coágulos.

Esses coágulos, por sua vez, podem evoluir para um quadro de trombose ou embolia pulmonar, complicações que geralmente são fatais em pacientes infectados com o coronavírus.

Na conclusão do estudo, os pesquisadores recomendam realizar testes de marcadores inflamatórios em pacientes hospitalizados por Covid-19. Dessa forma seria possível prever que indivíduos estariam mais propensos a complicações decorrentes da doença.

Testes em animais podem aprofundar as causas

Recentes experimentos conduzidos em ratos por biólogos do Canadá e dos Emirados Árabes podem indicar causas mais profundas para a fragilidade dos obesos diante do novo coronavírus.

É sabido que, para infectar uma célula saudável, o vírus utiliza os receptores da enzima de conversão da angiotensina 2 (ACE2) presentes na estrutura celular.

O objetivo do estudo foi demonstrar como a doença é capaz de prejudicar o metabolismo lipídico do paciente e desregular a expressão da ACE2, principalmente nos casos de obesidade.

Induzindo um estado de obesidade em 16 ratos de laboratório, ficou demonstrado um aumento significativo na expressão da enzima nos pulmões, sugerindo que essa pode ser a causa do aumento no risco de complicações em pacientes obesos que contraem a Covid-19.

Os resultados sugerem que o mesmo processo pode estar presente no corpo de pacientes com diabetes e com colesterol alto no sangue, mas a pesquisa ainda precisa avançar com testes em seres humanos.

Obesidade dificulta internações em terapia intensiva

Estima-se que 5% dos pacientes que contraem a Covid-19 precisarão ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

No caso dos obesos, isso representa um desafio a mais relacionado à estrutura disponível nos serviços de saúde

Não há instalações adequadas para esses pacientes em número suficiente, pois geralmente apenas os hospitais especializados em cirurgias bariátricas possuem leitos adequados para comportar obesos graves.

O procedimento de intubação também apresenta mais dificuldades em pessoas obesas e o diagnóstico por imagem se torna mais complicado, pois há um limite de peso nos equipamentos que fazem os exames.

Além disso, quanto mais pesado é o paciente, mais difícil se torna para a equipe de enfermagem transportá-lo e posicioná-lo no leito de UTI.

Efeitos do isolamento social na saúde dos obesos

Até mesmo para quem não está hospitalizado, a obesidade pode causar uma série de dificuldades diante da situação de isolamento social causada pela pandemia de Covid-19.

De acordo com a Federação Mundial de Obesidade, as medidas de isolamento, apesar de necessárias, representam um motivo extra de preocupação.

Como grande parte dos obesos já enfrenta problemas de estigmatização social e há uma alta prevalência de depressão entre esses indivíduos, o isolamento pode agravar ainda mais estes problemas.

Isso exige dos gestores de saúde uma atenção especial à saúde mental dessas pessoas durante a pandemia.

Os danos podem ser minimizados e controlados por meio de um programa de telemonitoramento desses pacientes por parte das operadoras de saúde.

Outro efeito prejudicial para a saúde dos obesos é a tendência ao aumento do sedentarismo durante o isolamento e ao maior consumo de alimentos ultraprocessados e não perecíveis em detrimento de hortaliças e frutas frescas.

Quem tem problemas para controlar o peso ou precisa manter uma dieta restrita está passando por grandes dificuldades durante esse período.

Mais uma vez, o telemonitoramento e o acompanhamento constante desses indivíduos em programas específicos para o controle da obesidade contribuem para reduzir os riscos para a saúde de uma dieta desregulada.

Uma colisão de pandemias

Como conclusão, verificamos que as pessoas que estão acima do peso podem sofrer com um acúmulo dos efeitos de duas epidemias (obesidade e Covid-19) que representam enormes desafios para o sistema de saúde.

Na prática, o que os obesos devem fazer, além das recomendações básicas como lavar as mãos e manter o distanciamento social, é tomar medidas extremas de prevenção devido à maior fragilidade do seu sistema imunológico.

A orientação geral dos especialistas é que essas pessoas mantenham uma dieta saudável para reforçar as defesas imunológicas do organismo e procurem se exercitar ao menos uma hora por dia, mesmo estando dentro de casa.

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