Medicina 4P: unindo a tecnologia com a promoção da saúde


Os serviços de saúde estão em pleno processo de evolução no que se refere ao tratamento de doenças crônicas. A tendência nos últimos anos consiste em migrar de um modelo reativo, baseado no tratamento de doentes, para um modelo proativo focado na promoção da saúde.

É nesse que contexto que surge um nova abordagem da medicina, baseada em quatro pilares fundamentais: prevenção, predição, personalização e participação. Batizada de Medicina 4P, essa metodologia propõe uma abordagem sistêmica com base nos avanços tecnológicos mais recentes e no trabalho interdisciplinar.

Trata-se de um tema amplamente discutido na Europa e nos EUA há pelo menos uma década, mas que só agora começa a chegar ao Brasil.

medicina 4P

De acordo com o artigo The P4 Health Spectrum – A Predictive, Preventive, Personalized and Participatory Continuum for Promoting Healthspan (baixe o PDF aqui), publicado em 2016 no periódico Progress in Cardiovascular Diseases, a implantação da medicina 4P requer uma estrutura capaz de ajudar pesquisadores, profissionais de saúde e partes interessadas em vários setores a colaborar da forma mais eficiente possível.

Atualmente, o controle de doenças crônicas é caracterizado pela soma de intervenções e recomendações feitas pelos vários médicos especialistas envolvidos. Interações mínimas entre esses especialistas e informações limitadas para clínicos gerais e pacientes levam a uma abordagem fragmentada da saúde.

Isso se reflete em uma série de intervenções dispersas, não-conectadas e às vezes ineficazes, que acabam gerando uma baixa relação de custo-efetividade para as operadoras de saúde.

Os quatro pilares da Medicina 4P

A seguir, vamos entender melhor cada um dos pilares nos quais se baseia o conceito de Medicina 4P:

1. Prevenção

Tendo como foco a manutenção da qualidade de vida, as ações de medicina preventiva devem ir além de simples consultas e exames de rotina. É preciso focar no engajamento e na educação para estimular a adoção de hábitos saudáveis entre os beneficiários. Ferramentas de telemonitoramento, que incluem dispositivos vestíveis e aplicativos de saúde, podem ser usadas para coletar dados que auxiliam no processo de prevenção e controle.

2. Predição

Promover a medicina diagnóstica é fundamental para identificar precocemente o surgimento de diversas doenças. Com os avanços na área de medicina molecular, em breve poderemos identificar em cada paciente a probabilidade de desenvolver problemas futuros e com isso realizar ações preventivas antes mesmo da instalação da doença.

3. Participação

Buscar uma relação mais humanizada entre médico e paciente é outra característica marcante da medicina 4P. Dar ouvidos ao paciente e entender o seu modo de vida é fundamental para obter um diagnóstico mais eficiente e um tratamento eficaz. Além disso, os médicos devem priorizar o estímulo à participação ativa do indivíduo no cuidado com a própria saúde.

4. Personalização

Com a utilização crescente dos recursos tecnológicos e o fortalecimento da interdisciplinaridade, cada paciente poderá receber uma atenção cada vez mais individualizada. Nesse contexto, adotar um software de medicina preventiva capaz de organizar todo o histórico de saúde do paciente é uma medida crucial, já que facilita muito o processo de reunir informações para auxiliar o médico na tomada de decisão.

Rumo à uma saúde digital

Com o auxílio de ferramentas tecnológicas, os especialistas em medicina 4P podem investigar todos os aspectos da saúde dos pacientes a partir de uma perspectiva sistêmica global.

A ideia é atacar a doença antes que os sintomas ocorram, usando para isso tecnologia de ponta em análise de sistemas para trabalhar com nuvens de dados dinâmicos montadas para cada paciente individual.

É o que se convencionou chamar de cuidados inteligentes.

Algumas inovações características desse tipo de cuidado são essenciais para a construção de modelos de medicina 4P. E a tendência é que estas inovações digitais atuem de maneira disruptiva, mudando radicalmente não só empresas e funções profissionais, mas a maneira como as pessoas cuidam da sua saúde.

Essas mudanças vão impactar o setor da saúde suplementar de diversas formas, incluindo aspectos ligados a diagnóstico, previsão e tratamento de doenças. Mas a evolução não pára por aí. Ela também se estende à mudança de hábitos, ao uso de dispositivos vestíveis inteligentes e até à digitalização do modelo de negócio na saúde.

O modelo atual, segundo os especialistas, não é mais sustentável e precisa se reinventar completamente para sobreviver em meio à transformação digital.

A implantação da medicina 4P só vai acontecer caso ocorra uma fusão definitiva entre saúde e tecnologia. Para que isso aconteça, ferramentas baseadas em inteligência artificial, big data, internet das coisas, protótipos 3D, wearables, nanotecnologia, biohacking (entre outras tecnologias disruptivas) já estão começando a se fundir, criando oportunidades nunca antes imaginadas.

Como se preparar para a medicina 4P

Entre os maiores desafios para realizar todo o potencial da medicina 4P estão o alto investimento e a imaturidade na gestão das organizações. Mesmo assim, o caminho rumo à saúde digital parece ser inevitável.

Por isso mesmo as operadoras de saúde precisam estar preparadas para absorver as novas ferramentas disruptivas que surgirão em um futuro próximo. É importante ter em mente, contudo, que essa mudança não vai acontecer de um dia para o outro.

Então, enquanto ainda há tempo, os gestores devem buscar incorporar suas empresas a esta onda de transformação digital, focando principalmente em uma mudança de mentalidade entre os profissionais da área de saúde.

E já que estamos falando em saúde, o ideal é que essa nova mentalidade se espalhe por todos os departamentos da sua operadora, desde a mais alta gestão até os profissionais de atendimento, “contaminando” positivamente todos os colaboradores.

Mas apenas isso não basta.

As operadoras de saúde devem montar um planejamento a médio prazo focado em avançar na direção dessa transformação digital.

Crie um grupo de trabalho desde já para identificar o impacto dessas mudanças. Defina cronogramas, capacite pessoas, projete investimentos e não esqueça de avaliar os resultados à medida em que avança.

Para ajudar nessa tarefa, vale conhecer o trabalho do Instituto de Medicina 4P, uma instituição sem fins lucrativos criada nos EUA com o objetivo de ser referência em pesquisas ligadas à medicina 4P.

Ele auxilia diversas operadoras de saúde norte-americanas a conduzir experiências com esse modelo, buscando formas de promover a qualidade de vida e o controle dos custos assistenciais.

Se você não sabe por onde começar, vale consultar os materiais produzidos pelo instituto e adaptar suas ideias para a realidade brasileira.

Para concluir, cabe um lembrete:

Apesar do forte conteúdo tecnológico, não devemos esquecer que todo processo de implantação da medicina 4P deve ser orientado por um profundo conhecimento da biologia e das circunstâncias de vida de cada paciente.

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