Hipertensão e álcool: investir na redução do consumo é fundamental para o controle da pressão alta


A ligação entre hipertensão e álcool já é bem conhecida pelos médicos, que reconhecem o consumo excessivo de bebidas alcoólicas como um dos principais fatores de risco para desenvolver a doença.

O que a medicina ainda não tem certeza é se a redução do consumo pode contribuir para reduzir a pressão arterial em pacientes já diagnosticados com hipertensão.

É exatamente esta questão que um grupo de pesquisadores do Instituto de de Saúde Mental do Canadá está tentando responder.

Em um estudo publicado recentemente na revista Lancet, eles analisaram 36 trabalhos de pesquisa clínica envolvendo um total de 2.865 participantes (2.464 homens e 401 mulheres).

Quer saber o que eles descobriram?

hipertensão e álcool

A redução no consumo excessivo diminui a pressão

A pesquisa canadense demonstrou que os efeitos da redução no consumo de álcool na redução da hipertensão dependem do nível de consumo do paciente.

Entre os pesquisados, as pessoas com o hábito de beber duas doses ou menos por dia não tiveram uma redução significativa da pressão arterial ao reduzir o consumo de álcool para perto da abstinência.

Nos parâmetros da pesquisa, uma dose equivale a 12g de álcool. É pouco menos de uma lata de cerveja, que tem aproximadamente 14g.

No entanto, quanto mais as pessoas bebem além desse nível, maior é a redução observada na pressão arterial após a cessação do hábito de consumo excessivo.

A associação dose-resposta foi evidente tanto em participantes saudáveis quanto em pessoas com hipertensão ou outros fatores de risco para doenças cardiovasculares.

De acordo com a pesquisa, a queda nos níveis de pressão arterial obtida com a redução do consumo de álcool é semelhante à de outras alterações comportamentais, como atividade física e mudanças na dieta.

Hipertensão e álcool: como se dá essa relação?

Do contrário que se imagina, não há efeito agudo do álcool na pressão arterial dentro de minutos a horas após o consumo. Inclusive pode haver uma redução, após oito horas de sono, nas pessoas que bebem à noite.

Pesquisas mostram que a pressão arterial tende a se elevar de forma subaguda se o consumo persistir por dias e semanas.

De acordo com dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), os estudos ainda não são conclusivos quanto às variações da pressão arterial relacionadas ao consumo moderado de álcool.

Porém, para os consumidores excessivos, a prevalência da hipertensão arterial é o dobro da observada em abstêmios e consumidores leves, sendo possível observar redução da pressão arterial após uma semana de abstinência.

Outras evidências apontam para a possibilidade do consumo de álcool reduzir o efeito de medicamentos para hipertensão e álcool.

Estratégias de prevenção

Do ponto de vista da medicina preventiva, tanto o consumo de álcool quanto a pressão sangüínea elevada estão entre os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis (DCNTs).

A redução do consumo de álcool e da pressão arterial tem o potencial de gerar ganhos substanciais de saúde sinérgica em termos de morbidade, mortalidade e custos de saúde.

Além do efeito substancial estimado sobre a mortalidade por doenças cardiovasculares e morbidade causada pela hipertensão, os esforços para reduzir o consumo de álcool são importantes para alcançar as metas do Plano de Ação Global da Organização Mundial da Saúde para a prevenção de DCNTs

Entre as metas divulgadas pela entidade para reduzir a mortalidade decorrente das doenças não-transmissíveis estão uma redução de 10% no abuso de álcool e uma redução de 25% na pressão alta até 2025.

Dessa forma, monitorar o consumo de álcool e aplicar intervenções breves para reduzir níveis considerados prejudiciais (ou mesmo encaminhar os casos mais graves para tratamento), devem ser uma prioridade na atenção primária à saúde.

Na prevenção secundária, a conscientização e o tratamento da hipertensão podem ser especialmente importantes para quem bebe acima do limite das duas doses diárias. Para este público, uma redução no consumo de álcool para dois ou menos drinques por dia pode ser a primeira escolha no tratamento da hipertensão.

Através de um acompanhamento efetivo da saúde populacional, usando ferramentas que permitam acompanhar a evolução deste indicador, é possível identificar as pessoas que se enquadram nesse perfil.

A partir daí, tanto as operadoras de saúde quanto a rede pública podem implementar intervenções efetivas contra o consumo excessivo, reduzindo substancialmente o fardo de duas doenças: a hipertensão e o alcoolismo.

hipertensão

Entre em contato

Solicite uma demonstração ou deixe sua mensagem

Ficou com dúvida sobre o Previva?