Conheça os principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)


Para se ter uma estratégia realmente eficaz de prevenção e promoção da saúde, antes de tudo é preciso saber quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) na população atendida pela sua operadora.

Mapear o perfil epidemiológico dos seus beneficiários e acompanhar a prevalência desses fatores de risco é fundamental para reduzir o avanço das doenças crônico-degenerativas.

De acordo com a prevalência de cada fator em grupos populacionais específicos, os gestores das áreas de medicina preventiva e atenção primária podem intervir criando ações e programas para reduzir a exposição dessas pessoas aos riscos de desenvolver DCNTs.

Mas antes detalhar cada um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, é preciso fazer uma distinção entre os fatores que podem e os que não podem ser modificados por meio de medidas preventivas.

fatores de risco para doenças crônicas

Fatores modificáveis e não modificáveis

Os fatores de risco para o desenvolvimento das DCNTs podem ser classificados como “modificáveis” ou “não modificáveis”.

Entre os fatores modificáveis estão incluídos a obesidade, o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, o colesterol alto, a ingestão de álcool em grandes quantidades, o tabagismo, o sedentarismo e o estresse.

Os fatores não modificáveis, por sua vez, incluem a herança genética, o sexo, a etnia e a idade. Este último é sem dúvida o mais importante, considerando a relação direta entre o envelhecimento e o aumento no risco de desenvolver de doenças crônicas.

Tendo isso bem claro, fica evidente que os esforços na área de promoção da saúde (tanto na rede pública quanto na suplementar) devem ser focados nos fatores modificáveis, já que a maior parte deles têm natureza comportamental.

Além destes fatores, é importante entender que as diferenças demográficas, sociais e econômicas de cada população atendida podem gerar diferentes padrões de mortalidade e de morbidade por DCNTs.

Sendo assim, sua operadora precisa criar soluções e estratégias que envolvam não somente a redução de fatores de risco, mas também levem em conta as realidades locais e suas especificidades.

Fatores de risco são sinais de alerta

Se um fator de risco é influenciado basicamente por comportamentos e hábitos, ele é passível de ser trabalhado dentro de uma abordagem preventiva.

No momento que estes fatores são identificados em uma população, especialmente em casos de altos índices de prevalência, é como se fosse dado um sinal de alerta para que o gestor preste mais atenção à morbimortalidade relacionada a essas doenças.

E só é possível acompanhar e monitorar tais comportamentos se a operadora conhecer profundamente o perfil epidemiológico dos seus beneficiários e acompanhar de perto a exposição dos indivíduos a riscos ligados ao estilo de vida.

Neste artigo vamos analisar alguns dos principais fatores de risco para doenças crônicas que podem (e devem) ser modificados por meio de ações de medicina preventiva e promoção da saúde.

1. Sedentarismo

O sedentarismo é o quarto maior fator de risco de mortalidade global, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Atualmente, cerca de 3,2 milhões de mortes por ano podem ser atribuídas à atividade física insuficiente.

Sendo assim, para evitar o desenvolvimento de doenças crônicas e reduzir os riscos trazidos pelo envelhecimento, a OMS recomenda que uma pessoa adulta pratique ao menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade intensa por semana.

No caso de adolescentes, o tempo recomendado é de 300 minutos semanais de atividade leve ou moderada, ou 150 minutos de atividade intensa.

Em 2018, um estudo da entidade apontou que 47% dos brasileiros tem hábitos sedentários. A pesquisa verificou que a taxa de inatividade física entre a população adulta no país cresceu 15% de 2002 a 2016 e continua subindo a cada ano.

Este fato se torna ainda mais preocupante se considerarmos os resultados de um estudo da Universidade de Cambridge que demonstrou haver uma relação direta entre sedentarismo e mortalidade prematura.

E mais: os pesquisadores detectaram que essa associação não se refere diretamente ao índice de massa corporal (IMC) dos pacientes. Isso quer dizer que pessoas magras e inativas têm maior risco de morrer por problemas de saúde do que pessoas obesas que se exercitam.

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2. Tabagismo

Apesar de estar diminuindo a cada ano, o hábito de fumar ainda mata 428 pessoas por dia no Brasil, em decorrência de doenças causadas pelo tabaco. No total são 156.216 óbitos por ano, o que equivale a 12,6% de todas as mortes ocorridas no país.

Os dados são de 2015 e fazem parte de um amplo estudo realizado em conjunto pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária (IECS) da Argentina, que avaliou o impacto do tabagismo em 12 países latinoamericanos.

O hábito de fumar é um fator de risco para quase 50 doenças diferentes, sendo responsável por 90% dos casos de câncer no pulmão e 25% dos casos de doenças vasculares.

O cigarro também causa 85% das mortes por bronquite crônica e enfisema pulmonar, 25% das mortes por doença coronariana e 45% das mortes por infarto em pessoas com menos de 65 anos.

Em outros casos de câncer (leucemia, câncer de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, estômago, rim, fígado, bexiga e colo de útero), estima-se que 30% dos óbitos sejam decorrentes do consumo de tabaco.

Além de ser um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, o tabagismo ainda impõe um alto custo financeiro para a sociedade.

Segundo o estudo, o consumo de tabaco no Brasil causa um prejuízo de R$ 56,9 bilhões por ano. Isso equivale a 1% do PIB nacional.

Desse valor, R$ 39,4 bilhões são custos diretos gerados por despesas médicas. A outra parte (R$ 17,5 bilhões) são os custos indiretos causados pela perda de produtividade por incapacitação ou morte prematura do trabalhador.

O documento referente aos resultados brasileiros foi publicado em 2017 e pode ser acessado aqui.

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4. Obesidade

Um em cada cinco brasileiros enfrenta hoje problemas com o excesso de peso. É o que indicam os dados mais recentes da pesquisa Vigitel, que aponta um crescimento de 67,8% no índice de obesidade no Brasil entre 2006 e 2018.

Considerada uma epidemia mundial pela OMS, a obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas como hipertensão, intolerância à glicose, dislipidemia, doenças cardiovasculares, diabetes, osteoartrite e mais 13 tipos de câncer.

Muitas dessas comorbidades têm impacto direto no aumento dos índices de incapacidade funcional, na redução da expectativa de vida e no aumento da mortalidade.

Para o gestor de saúde, é importante conhecer bem as comorbidades mais frequentes entre seus beneficiários e acompanhar indicadores de saúde referentes ao peso e à massa corporal (IMC).

Só assim é possível desenvolver ações de diagnóstico precoce mais eficazes e identificar aqueles beneficiários que estão acima do peso e poderiam se beneficiar com programas de combate à obesidade.

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5. Hipertensão

Além de ser uma patologia crônica por si só, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é fator de risco preponderante para doenças cardíacas e outros males do aparelho circulatório (como o AVC), além de diabetes e doenças renais.

Praticamente um em cada quatro brasileiros (24,7%) vivem hoje com um diagnóstico de hipertensão, segundo dados da pesquisa Vigitel 2018.

Todos os dias aproximadamente 388 brasileiros morrem devido à complicações decorrentes de um quadro HAS. São 16 mortes por hora, em média, sendo que 37% dos óbitos ocorrem precocemente (antes dos 70 anos).

De acordo com a pesquisa, os idosos são os mais afetados pela hipertensão. Entre aqueles com mais de 65 anos, 60,9% sabem que são hipertensos. Na faixa etária de 55 a 64 anos esse índice é de 49,5%.

Esses números, contudo, podem ser ainda maiores. Isso se deve ao fato de que a hipertensão é uma doença silenciosa e praticamente assintomática. Por isso, muitas pessoas desconhecem que sejam hipertensas.

Algumas pessoas podem apresentar tontura, cefaleia, cansaço fácil ou alterações visuais, mas a grande maioria dos pacientes passa a vida com estes sintomas inespecíficos e só diagnosticada depois dos 55 anos de idade.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a hipertensão mal controlada ou sem diagnóstico pode reduzir a expectativa de vida em até 16,5 anos.

Por isso é fundamental promover a medição regular da pressão arterial entre seus beneficiários, em especial aqueles com mais idade.

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6. Diabetes

Assim como a hipertensão, o diabetes tipo 2 é outro mal crônico que afeta milhões de pessoas e que pode desencadear problemas ainda mais graves, como insuficiência cardíaca e AVC.

Pouca gente sabe, mas as doenças cardiovasculares são hoje a principal causa de morte entre os diabéticos.

Além disso, o diabetes pode provocar lesões renais, lesões oculares (glaucoma, catarata e retinopatia), lesões neurológicas, problemas nos pés (neuropatia e má circulação), doenças dentárias e disfunção sexual.

Nas últimas décadas, o aumento na expectativa de vida da população fez aumentar também a incidência das complicações decorrentes de doenças crônicas como o diabetes, que afetam principalmente pessoas mais velhas.

A OMS estima que a doença afeta hoje 8,5% dos adultos em todo o mundo, metade deles em cinco países: China, Índia, EUA, Brasil e Indonésia. No Brasil, segundo a entidade, o diabetes já atinge 8,8% das mulheres e 7,4% dos homens.

O que mais preocupa os profissionais da saúde é que a metade dessas pessoas não sabe que é diabética e por isso não toma medidas para evitar as complicações de saúde decorrentes da doença.

É por isso que promover o diagnóstico precoce é tão importante na prevenção do diabetes tipo 2.

Afinal de contas, se o paciente souber controlar o nível de glicose no sangue e contar com suporte médico constante, poderá conviver relativamente bem com a doença e evitar complicações sérias como derrame cerebral, infarto ou cegueira.

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7. Consumo excessivo de álcool

A OMS estima que o consumo nocivo do álcool é responsável por 5,9% do total de mortes no mundo.

Além de estar relacionado a mortalidade e incapacidade causadas por acidentes e violência, este hábito é um fator de risco para mais de 200 doenças e lesões, como vários tipos de câncer, cirrose hepática e distúrbios neurológicos e maior exposição.

Como o consumo de álcool costuma iniciar na adolescência, o público jovem deve ser um dos principais focos nas ações de prevenção do alcoolismo.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2015, mais da metade (55,5%) dos estudantes de 9º ano brasileiros relataram já ter experimentado bebidas alcoólicas e 21,4% disseram já ter se embriagado pelo menos uma vez na vida.

Entre os adultos, considera-se consumo abusivo ingerir, em uma única ocasião quatro ou mais doses de bebida alcóolica – no caso das mulheres – e cinco ou mais doses para os homens.

De acordo com a pesquisa Vigitel, em 2017, o comportamento de consumo abusivo foi relatado por 19,1% dos adultos residentes nas capitais brasileiras. A frequência maior foi registrada entre homens (27,1%), enquanto entre a mulheres o percentual ficou em 12,2%.

8. Alimentação inadequada

A má alimentação já é considerada a principal causa de mortes em todo o mundo, sendo responsável por um em cada cinco óbitos registrados no planeta, segundo pesquisa publicada recentemente na revista médica The Lancet.

O principal problema, segundo os pesquisadores, é que as pessoas estão comendo quantidades excessivas de açúcar e sódio, enquanto consomem cereais, grãos, frutas e legumes em quantidade insuficiente.

A OMS recomenda a ingestão de pelo menos 400 gramas de frutas e hortaliças todos os dias, o que equivale a aproximadamente cinco porções desses alimentos. Mas segundo a pesquisa Vigitel, 80,4% da população brasileira adulta não consome essa quantidade.

Outra questão importante é o consumo regular de refrigerantes em cinco ou mais dias da semana. Dados de 2017 da Vigitel mostram que 14,6% dos adultos entrevistados relataram este padrão de consumo.

Outro aspecto importante é a má-alimentação na adolescência, um período fundamental para formar e manter hábitos alimentares saudáveis.

Segundo dados da pesquisa PeNSE, 41,6% dos estudantes do 9º ano consomem regularmente guloseimas (doces, balas, chocolates, chicletes, bombons ou pirulitos), 26,7% consomem refrigerantes e 31,3% consomem alimentos ultraprocessados com alto teor de sódio (hambúrguer, embutidos, macarrão instantâneo e salgadinho de pacote).

Entre a população infantil, os hábitos alimentares também têm deixado a desejar. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 entrevistou os pais de crianças menores de dois anos e apontou que 60,8% delas tinham comido biscoitos, bolachas ou bolos nas 24 horas anteriores à entrevista, enquanto o consumo de refrigerante ou suco artificial chegou a 32,3%.

Para mudar esta realidade, as operadoras de saúde devem incentivar a adoção de hábitos mais saudáveis investindo em programas de reeducação alimentar.

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Mais prevenção = menos custos

Chegamos ao fim deste artigo, que fez um apanhado geral dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis e sugeriu algumas ideias para ações de prevenção.

Siga os links indicados ao final de cada tópico para se aprofundar um pouco mais nas estratégias para prevenir cada fator específico.

Não esqueça:

Por meio de ações capazes de unir informação, apoio psicológico e troca de experiências é possível reduzir a incidência das doenças crônicas, trazendo mais qualidade de vida aos beneficiários e reduzindo custos para a sua operadora.

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