Consumo de álcool na pandemia: é hora de reforçar as ações preventivas


O aumento no consumo doméstico de álcool durante a pandemia de Covid-19 vem preocupando os gestores de saúde em todo o Brasil.

Dados divulgados em maio pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) apontam um crescimento de 38% nas vendas de bebidas alcoólicas nas distribuidoras desde o início do isolamento social. Nos mercados, o aumento nas vendas foi de 27%.

Outra pesquisa, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicou que 18% dos brasileiros aumentaram o consumo de álcool nesse período. O índice foi ainda maior (26%) na faixa etária de 30 a 39 anos.

O levantamento ouviu 44.062 pessoas em todo o Brasil, entre os dias 24 de abril e 8 de maio de 2020.

Segundo os pesquisadores da Fiocruz, o crescimento está associado à frequência em que os entrevistados disseram se sentir tristes ou deprimidos durante a quarentena.

Diante destes números, é preciso se perguntar:

O que sua operadora de saúde pode fazer para tentar reduzir o consumo de álcool durante a pandemia?

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Bebida alcóolica não é remédio para tristeza

“À medida que a quarentena continua em diversos lugares, o álcool vai sendo utilizado como uma solução rápida para lidar com o tédio, a incerteza e o isolamento”, afirma Alessandra Diehl, médica psiquiatra e vice-presidente da Abead.

Em artigo publicado no site Saúde Debate, ela ressalta que tais sentimentos funcionam como gatilhos para o consumo de álcool durante a pandemia.

E acrescenta que, apesar de trazer uma sensação de relaxamento para o usuário, ingerir bebidas alcoólicas pode agravar quadros de depressão e ansiedade, principalmente em situações de isolamento social.

“Buscar refúgio na bebida nessa quarentena está longe de ser uma solução para aliviar o sintoma de tristeza, provocada pelo confinamento”, diz a psiquiatra, lembrando que todas as incertezas e inseguranças continuarão existindo depois de cessar o efeito do álcool.

Para o gestor de medicina preventiva, o artigo da Dra. Diehl traz um alerta muito importante:

Pessoas que passam a consumir mais bebida durante a quarentena podem manter esse hábito a longo prazo, elevando os riscos de desenvolver dependência e outros problemas de saúde.

Riscos do consumo de álcool durante a pandemia

A cada ano, cerca de 3 milhões de pessoas morrem por causas diretamente relacionadas ao consumo de álcool. Isso inclui as vítimas de vários tipos de câncer, doenças cardíacas, acidentes de trânsito e violência.

Segundo uma pesquisa internacional publicada em 2018 pela revista The Lancet, o álcool é o principal fator de risco para mortalidade precoce na faixa etária de 15-49 anos.

Atualmente, além de contribuir para agravar esse risco, as restrições impostas pela pandemia de Covid-19 acabam gerando uma série de outros problemas ligados ao álcool.

Na análise da professora Zila Sanchez, livre-docente no departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), isso acontece principalmente porque o consumo na pandemia migrou da esfera pública (bares, festas, restaurantes) para o espaço privado.

Em um webinar organizado em junho pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ela explicou por que o aumento no consumo doméstico de álcool já pode ser considerado um dos principais efeitos secundários da pandemia de Covid-19.

Durante o evento a professora destacou algumas consequências desse novo comportamento, incluindo um incremento nos casos de violência doméstica e abuso infantil, além de uma maior exposição das crianças ao uso de álcool.

Ela alertou ainda para o impacto na saúde mental, com o aumento nos casos de depressão e suicídio, e para o risco de redução da imunidade decorrente do consumo excessivo de álcool.

Vale a pena assistir na íntegra a conversa com a professora Sanchez:

Como reduzir o consumo de álcool neste momento

Todas as informações e pesquisas citadas neste artigo vêm reforçar o alerta para os gestores de operadoras, principalmente aqueles que trabalham com prevenção de doenças e promoção da saúde.

É hora de reforçar as ações preventivas e campanhas informativas com o objetivo de reduzir o consumo doméstico de álcool entre seus beneficiários.

Alguns países, seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), adotaram medidas restritivas para limitar o consumo de bebidas alcoólicas pela população durante a pandemia.

Como o Brasil não fez o mesmo, o que nos resta são as ações preventivas de conscientização e o apoio psicológico oferecido por profissionais da saúde.

Portanto, se a sua operadora já tem um programa voltado para a redução do consumo e prevenção do alcoolismo, é preciso reforçar ainda mais estas ações.

Se ainda não tem, agora é uma boa hora para começar.

É preciso investir tanto na comunicação, para conscientizar o público em geral sobre os perigos do consumo de álcool durante a pandemia, quanto no suporte remoto para quem já têm problemas com a bebida ou risco maior de desenvolver dependência.

É importante também manter um monitoramento populacional dos níveis de consumo durante e após a pandemia de Covid-19, para que possam ser desenvolvidas estratégias de intervenção com base em dados estatísticos.

Um material bem completo, que pode servir de base para as ações de comunicação da sua operadora, foi desenvolvido pela Organização Pan-Americana de Saúde e reúne uma série de informações importantes sobre o consumo de álcool e a Covid-19. Clique aqui para fazer o download.

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