Como prevenir a DPOC: doença causada pelo cigarro que mata 3 milhões de pessoas por ano


Pouco conhecida pela população em geral, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) foi responsável por 5% de todas as mortes registradas no mundo em 2015. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença causou 3,17 milhões de mortes naquele ano, mais de 90% delas nos países em desenvolvimento.

Como prevenir a DPOC

Dados da Fundepoc, uma instituição argentina especializada na doença, indicam que a América Latina responde por 13,6% do total de mortes causadas pela DPOC. No Brasil, a estimativa é de que 7 milhões de pessoas tenham a doença. Contudo, apenas 12% são diagnosticados.

Diante destes números, fica clara a necessidade de saber como prevenir a DPOC tanto na rede pública quanto na saúde suplementar. Ações para evitar o surgimento de novos casos e melhorar a qualidade de vida de quem já tem a doença estão ganhando cada vez mais importância na estratégia de medicina preventiva dos gestores de saúde.

Este artigo vai trazer algumas ideias para ajudá-lo a criar um programa de prevenção e promoção da saúde com o objetivo de controlar a DPOC entre seus beneficiários.

Mas antes vamos entender um pouco melhor essa doença que, apesar de não ter cura, pode ser efetivamente controlada com medidas simples.

O que é DPOC?

Segundo a definição da OMS, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença pulmonar grave e progressiva, que causa falta de ar (inicialmente causada esforço físico) e predispõe o paciente a uma exacerbação de seus sintomas e a outras doenças graves.

Ou seja: a principal característica da DPOC é a redução progressiva do fluxo de ar nos pulmões, que vai se agravando ao longo do tempo e pode levar à morte.

A exacerbação ocorre quando os sintomas se acentuam muito rapidamente, constituindo um quadro extremamente grave e com alto potencial de óbito. Nesses casos o paciente vai precisar de assistência médica imediata.

O quadro mais característico de DPOC se dá quando o paciente apresenta bronquite crônica (inflamação dos brônquios) combinada com enfisema pulmonar (dilatação excessiva dos alvéolos), o que agrava a perda da capacidade respiratória e a redução do nível de oxigênio no sangue.

Contudo, tanto o enfisema quanto a bronquite crônica diagnosticados isoladamente também são considerados DPOCs.

Principais fatores de risco

A causa primária para o desenvolvimento de uma DPOC é a exposição à fumaça do cigarro, tanto por parte dos fumantes ativos quanto dos fumantes passivos, que inalam a fumaça de forma secundária.

Outros fatores de risco incluem:

  • poluição do ar
  • poluição em ambientes internos (gerada por combustíveis sólidos usados para cozinhar e aquecer a casa)
  • exposição ocupacional a produtos químicos, vapores, fumaça e outras substâncias irritantes
  • quadro persistente de asma
  • ocorrência frequente de infecções de vias aéreas inferiores durante a infância

Principais sintomas da DPOC

Os primeiros sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica são:

  • tosse frequente
  • expectoração (produção de catarro)
  • falta de ar eventual

Inicialmente a dispneia (falta de ar) surge apenas em situações de maior esforço físico, como subir um lance de escadas ou tentar carregar algo pesado, por exemplo.

Logo de início, o comprometimento da função pulmonar não é aparente e o paciente acredita que a tosse e a expectoração sejam resultados do hábito de fumar – o característico “pigarro dos fumantes”.

Infelizmente, essa é uma atitude comum e que dificulta bastante o diagnóstico precoce da DPOC. O paciente acaba procurando um médico especialista somente quando percebe o agravamento do quadro e a dispneia já está em um estágio avançado.

Além do quadro inicial, existem ainda outros outros sintomas relacionados à DPOC:

  • chiado no peito
  • aperto no peito
  • excesso de muco nos pulmões
  • lábios ou camas de unha azulados (cianose)
  • infecções respiratórias frequentes
  • cansaço e falta de energia
  • perda de peso nos estágios mais avançados

Mas o indicador mais característico do agravamento da doença é quando o paciente começa a ter falta de ar ao realizar atividades normais do dia-a-dia, como caminhar ou tomar banho, por exemplo. Isso costuma ocorrer principalmente no período da manhã.

Como prevenir a DPOC

Invista em campanhas anti-tabagismo

Parar definitivamente com o cigarro é a medida mais eficaz, tanto para pessoas saudáveis que não desejam ter a doença quanto para aqueles que já foram diagnosticados e querem reduzir seus sintomas. Por isso, sua operadora deve fortalecer cada vez mais as campanhas e ações para reduzir o índice de tabagismo entre seus beneficiários.

No universo dos usuários de um plano de saúde, a redução no número de fumantes é uma consequência direta da implantação de campanhas informativas e programas de promoção da saúde.

Os resultados destas ações são comprovados pela pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, que aponta uma redução de 0,7 ponto percentual ao ano no número de fumantes entre os beneficiários de planos de saúde entre 2008 e 2015.

Nove anos atrás, quando a pesquisa foi feita pela primeira vez, 12,4% dos beneficiários eram fumantes. Em 2015 essa porcentagem havia caído para 7,2%.

Promova o diagnóstico precoce

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 80% de todas pessoas afetadas pela DPOC não sabem que têm a doença. A maior parte delas só serão diagnosticadas quando for tarde demais para medidas efetivas de prevenção secundária.

Portanto, é fundamental que sua operadora conscientize seus beneficiários a respeito dos perigos da DPOC e das formas de identificá-la em seu estágio inicial. Na execução de uma campanha ou ação nesse sentido, procure usar os dados sobre o perfil de saúde dos seus beneficiários para dar uma atenção especial àqueles identificados como fumantes.

O diagnóstico da DPOC se dá com base na identificação de sintomas, no histórico médico e familiar, e nos resultados de alguns testes de função pulmonar. São procedimentos pouco invasivos, que medem a quantidade de ar que a pessoa consegue inspirar e expirar, avaliando a eficiência desse processo para a oxigenação do sangue.

O mais utilizado é a espirometria, um teste simples que pode detectar DPOC antes mesmo de o paciente desenvolver os primeiros sintomas. Além de revelar o nível de gravidade da doença e ajudar a definir metas de tratamento, os resultados do teste também podem indicar outras doenças, como asma ou insuficiência cardíaca.

Além dos testes de função pulmonar, o médico pode pedir outros exames para auxiliar no diagnóstico, como um teste de oxigenação sanguínea, uma radiografia ou uma tomografia computadorizada do tórax.

Crie programas de promoção à saúde

Além de organizar programas mais abrangentes contra o tabagismo, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recomenda às operadoras que criem programas específicos para os pacientes de DPOC dentro da sua estratégia de medicina preventiva.

Ao organizar um programa de atenção ao portador de DPOC sua operadora pode focar em ações mais direcionadas ao controle da doença, como assistência psicológica para deixar o cigarro ou acompanhamento de fisioterapeutas para melhorar a capacidade respiratória.

Usando um sistema de gestão de medicina preventiva é possível, por exemplo, monitorar todos os pacientes em tratamento e entrar em contato para lembrá-los de fazer ao menos duas consultas por ano ao pneumologista.

Outra possibilidade, dentro de uma abordagem multidisciplinar é usar a fisioterapia para melhorar os sintomas, especialmente nos pacientes de mais idade. A intervenção fisioterapêutica, se for iniciada imediatamente após o diagnóstico da DPOC e realizada com regularidade, é capaz de minimizar consideravelmente os efeitos nocivos da obstrução na qualidade de vida do paciente.

Além destes serviços, o programa pode promover também grupos de discussão periódicos sobre a doença. Uma boa ideia é organizar os encontros sempre com a palestra de algum profissional de saúde, seguida de uma roda de conversa. Nessas oportunidades, os pacientes podem trocar experiências sobre o tratamento e sobre como é conviver com a doença.

As palestras devem utilizar recursos audiovisuais e, se possível, apresentar aos participantes alguns instrumentos, como inaladores e equipamentos terapêuticos, relacionados ao tratamento da DPOC.

Entre os tópicos que podem ser abordados estão:

  • o conceito e as causas da doença
  • os efeitos do tabagismo no desenvolvimento da DPOC
  • informações sobre o tratamento medicamentoso
  • treinamento sobre o uso correto de broncodilatadores inalatórios
  • demonstração do uso correto dos recursos terapêuticos
  • orientação quanto à reeducação do padrão respiratório

A participação nestes programa deve ser voluntária, por meio do preenchimento de um questionário personalizado que pode ser fieto diretamente com o médico. Ele deve encaminhar a solicitação para o gestor de medicina preventiva, que entrará em contato com o paciente para incluí-lo no programa.

Prevenção da DPOC na prática

Agora que você já sabe como prevenir a DPOC entre os beneficiários da sua operadora de saúde, é hora de aprender um pouco mais sobre como organizar um programa de combate ao tabagismo.

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