Câncer de pele: medidas de prevenção e diagnóstico precoce


câncer de pele

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no mundo e no Brasil, correspondendo a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse índice pode ser ainda maior, pois muitas lesões suspeitas ainda são retiradas sem diagnóstico ou em consultórios particulares, prejudicando a detecção da doença em seus estágios iniciais.

Para fins epidemiológicos, o câncer de pele é classificado em dois tipos: melanoma e não-melanoma. Esta última classificação abrange o carcinoma de células basais (CCB) e o carcinoma de células escamosas (CCE), que juntos são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de pele no país.

Mesmo apresentando baixas taxas de mortalidade, esses cânceres podem causar consideráveis deformidades físicas se não tratados, destruindo os tecidos a sua volta, atingindo cartilagens e ossos. O CCE, especificamente, possui maior facilidade para disseminar para os gânglios linfáticos e outros órgãos, levando ao surgimento de metástases.

Já o melanoma, apesar da menor ocorrência (em torno de 5% dos casos), é bem mais agressivo. Responsável por aproximadamente 75% de todas as mortes causadas por câncer de pele, pode facilmente disseminar para os gânglios linfáticos e órgãos internos.

Custos para o tratamento do câncer de pele

Apesar de menos frequente, a gravidade dos casos de melanoma faz com que os custos requeridos para seu tratamentoespecificamente no âmbito da saúde complementarsejam maiores. E quanto mais tarde ele for diagnosticado e tratado, maiores serão estes custos.

Segundo artigo publicado em 2009 na revista Anais Brasileiros de Dermatologia, os custos para o tratamento do melanoma em seus estágios iniciais compreendem aproximadamente a 1,3% do custo total despendido pelas operadoras de saúde. Enquanto que os estágios mais avançados da doença consomem 98,7% desse custo.

A importância do diagnóstico precoce

A detecção precoce do câncer de pele é crucial para todos os casos, em especial para o meloma, cujas chances de cura são altas nos estágios iniciais, mas torna-se praticamente fatal quando evolui para metástase. No caso do não-melanoma, o tratamento mais comum é o cirúrgico, que apesar de ser bem sucedido na maioria dos casos, costuma deixar cicatrizes e atingir as estruturas vizinhas.

Apesar de não haver evidências de redução da morbimortalidade pelo uso de uma técnica específica de autoexame de pele, estudos indicam que grande parte dos melanomas é descoberta acidentalmente pelos próprios pacientes ou seus familiares, mostrando a importância das pessoas conhecerem sua pele e estarem atentos a algumas mudanças.

É por isso que as campanhas de esclarecimento e conscientização são de extrema importância para a prevenção secundária, pois servem para informar os beneficiários sobre as características que indicam a formação de um câncer de pele. O conteúdo da campanha deve reforçar os principais sinais a serem observados quando se percebe o surgimento de  manchas ou lesões na pele:

  • Assimetria: a mancha tem uma metade diferente da outra;
  • Bordas irregulares: ela possui contorno mal definido;
  • Cor variável: uma mesma lesão apresenta várias cores (preta, castanha, branca, avermelhada ou azul);
  • Diâmetro: a mancha tem mais de 6 mm de diâmetro.

Indivíduos que apresentaram lesões com uma ou mais das características acima devem ser imediatamente encaminhados à consulta especializada em centros de referência para realização dos procedimentos diagnósticos necessários.

Outros sinais de alerta surgem quando a mancha coça, dói, sangra ou descama; quando uma ferida não cicatriza em até quatro semanas; quando um sinal na pele muda de cor, textura, tamanho, espessura ou contorno; ou quando percebe-se uma elevação ou nódulo que aumenta de tamanho e tem aparência perolada, translúcida, avermelhada ou escura.

Fatores de risco para o câncer de pele

No que se refere à prevenção primária do câncer de pele, a prioridade deve ser informar os beneficiários sobre os fatores de risco associado aos cânceres da pele e as formas de minimizá-los. O principal deles é a exposição excessiva à radiação ultravioleta (luz do sol).

Por isso, a principal medida de prevenção deve ser incentivar seus beneficiários a tomar medidas de proteção quando estiverem expostos ao sol. As principais são o uso de filtros solares (FPS 15 ou mais), além de vestimentas adequadas e acessórios protetores (camiseta, chapéu, guarda-sol e óculos escuros). Sempre que possível, deve-se evitar a exposição solar entre 10h e 16h.

Outros fatores, como irritações crônicas (úlcera angiodérmica e cicatriz de queimadura) e exposição a produtos químicos, como o arsênico, também podem levar ao desenvolvimento do câncer de pele.

Com relação ao melanoma, além dos fatores já citados, associam-se a ocorrência prévia de câncer de pele não-melanoma e o histórico familiar de melanoma, além de condições como nevo congênito (pinta escura na pele), xeroderma pigmentoso (doença congênita que se caracteriza pela intolerância total da pele ao sol, com queimaduras externas, lesões crônicas e tumores múltiplos) e o nevo displásico (lesões escuras da pele com alterações celulares pré-cancerosas).

Identificando indivíduos de risco

As chances de desenvolver câncer de pele são maiores em pessoas que:

  • possuem pele branca, sardas, cabelos e olhos claros
  • têm histórico de pai, mãe ou avós com câncer de pele
  • ficam facilmente queimadas do sol e nunca se bronzeiam
  • possuem muitas pintas ou manchas na pele
  • têm profissões com elevada exposição solar, como pescadores ou agricultores
  • são imunodeprimidos (como transplantados e pacientes com AIDS, por exemplo)

No Brasil, a maior parte desses casos ocorre nas regiões Sul e Sudeste do país, cuja população é predominantemente branca e, portanto, mais suscetível à influência dos altos níveis de raios UV registrados.

Na população negra, em muitos casos, as lesões iniciais passam despercebidas na pele escura, e o diagnóstico é feito em estádios mais avançados. Além disso, essa população também está mais sujeita ao melanoma acral lentiginoso, não associado à exposição à radiação UV, sendo sua ocorrência maior na Região Nordeste.

Pesquisando por estes indicadores em sua carteira de beneficiários, os gestores de operadoras de saúde têm condições de formatar campanhas e ações com mais eficácia e direcioná-las a grupos específicos. Para facilitar esse trabalho, recomenda-se usar ferramentas de gestão que possam cruzar estes dados de maneira automática e fazer uma triagem baseada no perfil epidemiológico dos segurados.  

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