“A pandemia veio reforçar ainda mais os conceitos de APS”, diz coordenador médico da Unimed Grande Florianópolis


Diante da necessidade de repensar o atendimento ao beneficiário em meio à pandemia de Covid-19, os gestores de operadoras estão percebendo como é essencial investir em ações preventivas e incorporar novas tecnologias à promoção da saúde.

É o que observa o coordenador médico da Unimed Grande Florianópolis, Dr. Raul Wittmann, em entrevista exclusiva ao blog Previva.

Formado pela Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre e com especialização em Medicina de Família e Comunidade pela SBMFC, Wittmann atua desde 2017 na coordenação dos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) da operadora catarinense.

Nesta entrevista, ele analisa o impacto da pandemia no atendimento ao beneficiário, revela como sua cooperativa tem se adaptado aos novos tempos e aponta visões estratégicas para o futuro da atenção primária pós-coronavírus.

Confira a seguir!

Na sua avaliação, qual é a importância das ações preventivas e de promoção da saúde em um momento de emergência sanitária como o que estamos vivendo hoje?

Quando falamos de ações preventivas e de promoção da saúde voltamos aos pilares básicos da Atenção Primária à Saúde (APS):

  1. Acesso;
  2. Integralidade;
  3. Longitudinalidade
  4. Coordenação do cuidado.

Assim, em um momento de pandemia, entendo que garantir o acesso do paciente a uma equipe de saúde da família que conheça suas condições clínicas e sociais de forma integral e histórica (longitudinal) permite maior segurança na condução dos casos clínicos.

A coordenação do cuidado possibilita a identificação rápida das populações de risco epidemiológico aumentado bem como a adoção de medidas preventivas coletivas.

Assim conseguimos reduzir a propagação da Covid-19 entre as pessoas que apresentam chance maior de desenvolver as formas graves da doença.

Prevenção deve ser prioridade

É possível afirmar que a pandemia reforçou a necessidade de investir ainda mais na medicina preventiva daqui para frente? De que forma isso está sendo percebido pelos gestores da área?

Entendo que a prevenção em saúde deva ser sempre uma prioridade de investimento, seja de forma individual na vida das pessoas ou coletiva. Essa visão tem crescido gradativamente nas últimas décadas e os diferentes setores da sociedade vêm desenvolvendo ações nesse sentido.

Muitos estudos em todo o mundo demonstram benefícios indiscutíveis na adoção de medidas de promoção da saúde em sistemas de saúde coletiva.

Os benefícios são palpáveis em três âmbitos principais:

  • melhoria direta na saúde dos indivíduos e redução dos danos;
  • consequente diminuição nos gastos com doença (internações, medicações, uso de emergências)
  • melhoria da qualidade dos serviços na percepção do paciente.

A pandemia veio reforçar ainda mais esses conceitos, de modo que os gestores que dispunham de serviços de medicina preventiva estruturados antes da pandemia puderam proteger melhor seus clientes.

Ademais, diversas empresas que prestam esse tipo de atendimento cresceram de forma exponencial em 2020 não obstante a crise econômica vigente.

Na prática do dia-a-dia, como a Covid-19 afetou o planejamento e a execução das ações de prevenção e promoção da saúde que já vinham sendo realizadas pela Unimed Florianópolis antes da pandemia?

As ações preventivas precisaram ser completamente repensadas em sua operação.

Para evitar a propagação da doença, cancelamos os atendimentos preventivos de visita presencial e passamos a operar apenas de forma remota. Os beneficiários com maior risco para Covid-19 passaram a ser monitorados de forma mais intensiva pelas equipes de saúde.

A mudança da legislação para telemedicina permitiu o desenvolvimento de uma ferramenta específica, possibilitando a integração da medicina preventiva com as teleconsultas médicas.

Assim, as equipes já estruturadas puderam concentrar seu trabalho nos indivíduos de maior necessidade de atenção a partir do pleno conhecimento de suas carteiras de beneficiários.

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APS na pandemia: presente e futuro

No momento, que ações específicas o setor de APS da Unimed Grande Florianópolis está promovendo para combater e prevenir a Covid-19?

Além das ações de busca das populações de maior risco já citadas, foram disponibilizados atendimento médico remoto 24h para os casos suspeitos da doença e atendimento remoto eletivo para as demandas normalmente atendidas em consultório.

Essas medidas puderam evitar que muitos beneficiários de alto risco fossem expostos a ambientes de alta complexidade como hospitais e unidades de pronto atendimento.

Nos casos de indivíduos que necessitam de atendimento presencial, foram tomadas medidas de isolamento nas áreas onde circulam pessoas com sintomas de Covid-19, separando-as dos demais pacientes.

Para os próximos anos, como o sr. avalia o legado que esta pandemia vai deixar na gestão da saúde suplementar? E mais: como se preparar para futuras emergências semelhantes?

Acredito que a tendência é de fortalecimento ainda maior dos conceitos e práticas em medicina preventiva e APS.

Creio que o rápido desenvolvimento da telemedicina que ocorreu em 2020 veio pra ficar e que os gestores precisarão se adaptar à nova realidade para não perderem espaço no mercado de saúde suplementar.

O conhecimento detalhado das pessoas a quem prestamos serviços também se mostrou essencial nesse momento.

Os resultados demonstrados pelos serviços que exercem a coordenação do cuidado de seus clientes ressaltaram ainda mais a importância da medicina preventiva, não só em períodos de saúde abundante, mas principalmente em momentos críticos como o atual.

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